Lombra Santa

Cristianismo e o cotidiano.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Ensaio sobre a 3a Lei de Newton



Em agosto de 2008, o centro Itau Cultural em São Paulo foi sede da mostra «Emoção Art.ficial 4.0 ». A mostra se diferenciava de uma mostra de arte comum já pela propria natureza dos artistas que a compunham : o artista principal se alimentava de uma bateria de Litio/Cadmio, tinha 6 pincéis para se expressar e 4 rodas para se movimentar. Criado pelo português Leonel Moura, o robozinho atendia pelo nome de RAP, sigla para Robot Action Painter, alusão ao movimento action painting do expressionismo abstrato americano de Jackson Polock, cujas obras se assemelham bastante às peças criadas pelo RAP.


A primeira vista, o robô parece inocente e gera uma impressão de simpatia nos que o observam em seus movimentos. Mas a questão evocada é : a criação do robô é arte ? Sem dúvida nenhuma, é o que diz seu criador. Leonel Moura garante que o conjunto de softwares e CHIPs que dão vida ao RAP lhe fornecessem total independecia para se movimentar em qualquer direção, pintar a cor e o local que quiser e decidir quando parar. Para Leonel, o simples fato do RAP ter uma criatividade artificial, de ser capaz de criar algo novo e único, faz da sua criação uma autêntica obra de arte.


Mas a questão parece não ter uma resposta tão simples. Ao ouvir falar do RAP e de sua repercussão, tive a curiosidade de apresentar a questão para alguns colegas de trabalho e a resposta foi unânime : a criação do robô não é arte. « Claro que não », alguns até pareciam se exaltar. Para esses poucos à quem perguntei, o ingrediente principal de uma obra era a inspiração/motivação do artista. Se não existe uma razão emotiva de se criar uma peça, a peça perde seu motivo de ser e não pode ser definida como arte.


Após a inquisição, ainda nao estava convencido da resposta. Quando ouvi as respostas dos meus colegas, lembrei-me imediatamente de uma entrevista que vi ha alguns anos com o vocalista de uma banda de sucesso atual. Ele, revoltado com a insistência da imprensa em querer bisbilhotar sua vida pessoal, dizia que seu papel na sociedade era produzir e apresentar sua obra diante de um público. Sua vida pessoal nada tinha a ver com os outros, e a ultima coisa que ele queria era que detalhes de sua vida intima influenciassem a percepção que a sua platéia tinha de suas canções. Ele mencionou que uma vez foi para uma mostra de arte no Tate Museum, em Londres, e que uma coisa lhe ficou gravada na mente. Um dos artistas que tinha suas obras apresentadas havia se suicidado alguns anos antes. Sua obra era repleta de cor e de formas que transmitiam paz e uma alegria exuberante : até as crianças exclamavam « Uau, isso é muito legal ! ». Enquanto isso, os pais das mesmas crianças olhavam para as mesmissimas telas e pensavam « Bonito, mas que mente perturbada. Um miserável que não tinha forças, e que se acovardou e tirou a propria vida. »


Quem faz a arte : a motivação do artista ou a impressão no individuo que a contempla ? Uma tela que transmite um amor fraterno perde seu papel se posteriormente seu autor se torna um facista adepto de idéias racistas ? Quem tem mais força: ação ou reação (ou seguem a 3a Lei de Newton?) ? O que fazemos hoje precisa ser justificado eternamente pelos nossos atos futuros ? Indo mais além: nos é creditado o bem pontual que fazemos? Ou o curso de nossas vidas vai dar o aval de mérito da nossa conduta?


A discussão pode ir longe.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

A história das 3 igrejas!

Tive um momento iradissimo esse final de semana em uma casa de campo com uns amigos pra aproveitar o feriado, e dps que voltei acabaei colocando no papel algumas reflexoes.. Espero que vcs sejam abençoados o mesmo tanto que eu fui, com "tao pouco".

Comecei a estagiar há um mês. Minha rotina mudou significativamente desde que terminei o curso na Ecole. Mudei de apartamento, conheci outras pessoas e ainda estou me acostumando de novo a acordar cedinho e aos horarios a serem cumpridos. Felizmente, alguns dos meus amigos do 3° ano da Ecole também conseguiram estagio em Marseille. Entao, como o nosso cotidiano é bastante parecido, a gente começou a fazer mais coisas juntos. A mistura cultural de nos 5 (2 brasileiros, 2 alemaes e 1 francês), nos dah uma variedade de programinhas interessantes pra ocupar o tempo. Vai desde cozinhar juntos depois do estagio à conversar sobre os mais variados assuntos, principalmente sobre a nossa enorme diferença cultural.

Depois de uma semana se encontrando todo dia, a gente decidiu aproveitar o feriado do 1° de maio pra viajar. O francês, Nicolas, propôs que nos fossemos à casa dos seus pais em Chalencon na regiao de Ardèche. Nunca ouviu falar? Eh, eu tb não tinha! Ardèche é um departamento da França situado entre Marseille e Lyon, um pouquinho mais pro oeste e é uma regiao que os franceses chamam de “Campagne” (campo, fazenda). Eu poderia passar horas falando de tudo o que eu amei nessa cidadezinha tipica francesa, mas não foi por isso que eu decidi escrever.

Durante uma “promenade” (passeio) que faziamos na simpatica Chalencon, Nicolas nos falou que mesmo havendo apenas 300 habitantes, haviam duas igrejas na vila: uma catolica e uma protestante; e que durante muito tempo as pessoas que frenquentavam cada igreja não se entendiam e realmente, chagavam ao extremo de não se falar. A primeira que estava no nosso caminho, era a protestante. No momento em que eu me dirigi à entrada da igreja, meus amigos conversavam com alguém do lado de fora. Enquanto subia a escada na direçao do “templo”, minha ansiedade aumentava, como se buscasse ali um lugar de conforto, jah que tinha passado tanto tempo sem ir numa igreja com os meus mesmos “ideais”, digamos. O lugar era simples, bancos longos de madeira, uma cruz vazia ao fundo “comme d’habitude”. Fiquei parada por um tempo. O silencio chegou a me incomodar um pouco. Olhei pro lado e vi alguns panfletos espalhados em uma mesa. Peguei aleatoreamente um deles que falava de Jean CALVIN e logo embaixo estava destacado: “Um grande monumento, para um grande homem.” Não querendo acreditar no que via, olhei o verso da folha. E pior do que eu imaginava estava um pedido à congregaçao para a arrecadaçao de 40.000 euros para a construçao da sua estatua em bronze até o final do ano. Saih da igreja meio decepcionada e o passei continuou. Logo avistamos a igreja catolica. Visivelmente mais decorada, havia dentro da igreja duas pessoas que oravam nos longos bancos da capela e ainda 3 pessoas que aparentemente faziam parte do “clero” local e o padre logo ao lado. Nos receberam com um sorriso acolhedor e logo em seguida, oraram o pai nosso. Nos retiramos logo em seguida, e, passando pelas ruelas da cidade, encontramos uma “boutique” com artigos que não pareciam nem um pouco franceses. La, um senhor jah de idade super simpatico, nos recebeu e nos explicou do que se tratava a lojinha. Todos os artigos que ali se encontravam, haviam sido produzidos em Laos (Fronteira com a Tailandia) e o dinheiro arrecado com a sua venda era destinado a um projeto social que ele havia desenvolvido no mesmo pais. Esse senhor jah era aposentando quando começou o projeto e devia ter em média uns 75 anos. Vou me referir a ele como Monsieur Laos, pq eu realmente tenho problemas de decorar os nomes franceses (c’est pas évident de les savoir par coeur!!). Continuando... M.Laos era uma daquelas pessoas raras de se encontrar. A forma carismatica com que ele falava do projeto e um pouco até da sua vida pessoal, nos contagiou de forma que ninguém conseguia, ou não queria mesmo, sair da apertadinha, mas aconhegante “boutique”. Apesar de não ser médico, o projeto envolvia um hospital que foi construido para, além de suprir ao minimo as necessidades da saude da populaçao carente de Laos, operar crianças que nasciam com uma doença terminal que poderia ser revertida por uma cirurgia antes que completassem 9 anos de vida. Fomos interrompidos pelo Padre, que passou para cumprimentar M. Laos e saber como caminhava o projeto. Foi entao que ele nos falou da dificuldade em conseguir verba para as operaçoes, que custavam entre 6 à 9 mil euros (nada para o Governo, muito pra ele, apesar de sempre contribuir com o que podia). O valor mencionado me fez remeter aos 40.000 que os protestantes juntariam para construir a estatua, e devo dizer que um sentimento que de revolta me tomou naquele instante.

Enquanto aquele senhor falava com os olhos jah velhinhos mas ao mesmo tempo tao entusiasmados, os meus se enchiam de lagrimas ao ver quanto amor aquela pessoa transbordava. M. Laos terminou suas palavras dizendo que enquanto ele pudesse, enquanto tivesse saude, que ajudar aquelas pesssoas e acrescentar algo de bom nesse mundo.

Provavelmente eu não vou ver o M. Laos de novo, mas aquela meia hora de conversa deixou uma marca na minha vida. Não sei se ele conhecia a Jesus ou qual das duas igrejas de Chalencon ele frequantava, mas a praticidade do amor que ele passava representava muito mais o amor de Jesus do que qualquer estatua de bronze que fosse levantada ou qualquer igreja bem decorada.

Que aquilo que motiva aquele senhor a todo dia prosseguir, a amar e principalmente FAZER nos ultimos anos da sua vida, nos motive por toda a vida que temos pela frente: para que o mundo SINTA, entenda e CREIA o verdadeiro amor de Deus através de nos.

Thais.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Gripe divina


Ufa... Jesus é vacinado!


Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Alguma coincidência?

Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, [...] (2 Timóteo 3:1-4)

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Ele me conhece

O que mais importa não é o fato que eu conheço a Deus, mas, sim, algo que está implícito neste conhecimento - ele me conhece. Eu estou gravado nas palmas de suas mãos. Nunca sou esquecido por ele. Ele me conhece como meu melhor amigo, alguém que me ama.
Não há um único momento em que ele tira os olhos de mim ou que se distrai e me esquece; portanto, não há um momento sequer em que ele deixa de cuidar de mim. Há um indizível conforto em conhecer este Deus que está constantemente consciente de mim em amor e cuidando de mim para o meu bem.

J.I. Packer - O conhecimento de Deus ao longo do ano

Sábado, 16 de Maio de 2009

A Natureza Humana


A expressão “natureza humana” aparece dez vezes nos dezessete primeiros versos de Romanos 8, na Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Essas palavras referem-se aos pendores naturais do ser humano -- como ele vive, age, reage e se comporta em qualquer lugar, tempo, etnia (ou raça) e cultura.

Há anos várias ciências estudam a natureza humana -- a antropologia, a biologia, a psicologia, a sociologia, a filosofia, a teologia, a linguística --, cada uma com suas próprias explicações, respostas e conclusões.

Cientistas, escritores, artistas, jornalistas e religiosos -- todos referem-se à natureza humana, pois ela é sempre estranha, confusa e preocupante. Deixada à vontade, ela é capaz de causar grandes estragos, quase sempre irreversíveis. A obrigação imposta por Jesus Cristo de negar-se a si mesmo é o único dique capaz de barrar os impulsos negativos da natureza humana (Mc 8.34).

Em última análise, a natureza humana é responsável por todas as desgraças que têm assolado a sociedade, desde a incorrigível injustiça social até a sucessão interminável de conflitos bélicos. Ela explica também o feminicídio, “termo cunhado para denominar a eliminação sistemática de mulheres”. O mais constrangedor é que, conforme a Organização Mundial de Saúde, 70% das mulheres assassinadas são vítimas de seus próprios companheiros.

É a natureza humana indomável que explica tanto o que aconteceu em Joaçaba, SC, como o que aconteceu em Viçosa, MG, em outubro de 2008. No primeiro caso, dois jovens de 18 anos e um de 16 estupraram uma menina de 15. Eles filmaram o ocorrido e divulgaram as imagens pela internet. No segundo caso, um idoso de 74 anos estuprou uma menina de 10 e manteve contatos voluptuosos com outra de 9. A natureza humana negativa está presente tanto em jovens quanto em idosos, tanto em famílias de classe média (caso dos rapazes de Joaçaba) quanto nas de classe pobre (caso do aposentado de Viçosa). São esses acontecimentos que levam certas pessoas a pôr a mão na ferida humana.

Em entrevista à “Folha de São Paulo”, o psicanalista britânico Adam Phillips disse que “pessoas que parecem normais podem ser mais loucas que os loucos”. O jornalista Lúcio Sant’Ana propõe: “Independentemente da teoria mais correta, certo é que o homem, em qualquer tempo, é mau por natureza. É um predador que apenas entende de valorizar suas vontades e desejos. Como centro de um microuniverso, o homem persegue suas ambições e não encontra limites para elas”.

No que diz respeito à natureza humana, nenhuma análise é mais esclarecedora e lúcida que a da teologia. Ela trata do assunto de forma ampla. A natureza humana está contaminada e dominada pelo mal, embora não tenha perdido por completo alguns lampejos do bem. O ser humano foi criado santo por Deus, mas caiu dessa posição com o pecado de Adão: “Por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores” (Rm 5.19). O primeiro pecado afetou toda a raça humana. Imediatamente após a queda, houve inveja, ciúme, raiva, orgulho, violência, mentira e insolência, estranha bagagem que todos carregamos dentro de nós e que só não sairá de lá se trancarmos todas as portas, de modo decisivo e contínuo. Pelo menos os cristãos têm a obrigação de não viverem de acordo com sua natureza humana. Eles precisam viver de acordo com o Espírito de Deus, que habita neles (Rm 8.13).

Texto tirado do site: www.ultimato.com.br


Imagem tirada do filme "A Beira da Loucura"

Domingo, 3 de Maio de 2009

A Igreja...

Um organismo vivo e não uma organização estática.

Um Igreja funcionando de acordo com sua natureza deveria oferecer:

1. Interdependência as invés de independência.
2. Senso de comunidade ao invés de fragmentação.
3. Participação as invés de espectadores.
4. Conexão ao invés de isolamento na multidão.
5. Solidariedade ao invés de individualismo.
6. Espontaneidade ao invés de institucionalização.
7. Relacionamentos ao invés de programas.
8. Servitude ao invés de dominancia.
9. Liberdade ao invés de regras de conduta.
10. Comunidade ao invés de cooporação.

A Igreja foi planejada como uma família... e sempre citada a partir de exemplos familiares.
Nunca funcionará em sua total capacidade restauradora enquanto não assumir sua identidade familiar. E abandonar sua pretenção de ser universidade, clube, associação, federação, denominação, coorporação ou qualquer outra pretensa forma de expressar o que ela realmente é. Uma família!

(Adaptado de "Perseguindo o Sonho de uma Igreja Orgânica - Reimaginando a Igreja" de Frank Viola.)

Recomendo fortemente, "Cristianismo Pagão" de Frank Viola, um de seus livros já traduzido.

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